"Dentro de mim se aquieta um vazioNão um vazio gélido,
Austero,
De vento frio:
As janelas estão fechadas
E o vazio faz-se morno,
Cálido,
Quase confortável,
Faz de meu corpo seu abrigo oco
Silencioso,
Desocupado
Na sacada da casa que sou não existem placas
Não há o que vender,
Não há o que comprar,
Não há nada!
Ou o que há resta em repouso,
Quase invisível,
Quase indizível,
Presente fantasiado de passado
No quarto que dormita em meu espírito
Havia uma cama quente e macia,
Onde meu corpo se amoldava
Esta cama não mais existe,
Já não se encosta a qualquer parede,
Aliás, sequer ficaram as paredes!
Sequer ficaram as sacadas!
O que se punha de pé desabou
Junto com todas as vigas que erguiam a casa
Mas hei de novamente reergue-la
Hei de novamente mobiliá-la
E não quero camas, sofás, guaritas, intrigas
Quero mobiliá-la com a vida
A mesma vida urgente que, por entre os móveis, se dissipava
E até lá,
Selando mais uma de minhas mortes,
Retomando mais uma de minhas vidas,
Acomodando o que não me pertence em caixas bem afastadas
Sei que enquanto guardo meu vazio,
Sinto-me por ele guardada."
MARINA PORTECLIS
Um beijo....
Sabor?
Vazio na alma...
Menina Poetisa
Também chora...
Lutcha
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